Agora que a poeira esta baixando e os ânimos serenando, creio que possamos analizar com a devida distância e frieza a cobertura jornalística tão comentada acerca do terremoto/tsunammi/(quase)acidente nuclear que está completando 2 semanas.
Assim como a maioria, tenho sido inundado com informações de todos os lados: Sites, blogues, facebooks, twitter, e tambem pelos colegas de trabalhos, vizinhos, parentes, transeuntes...O famoso boca a boca.
Acompanhar os fatos atraves da imprensa nipônica é mais real, mais minuto a minuto, ali tudo na hora em que acontece. O que não é garantido que seja 100% compreendido. Pelo menos pra mim. Às vezes o japonês polido e formal é de dificíl entendimento. O que acaba acontecendo é que a gente entende uma palavrinha aqui, outra ali e por conta própria as encaixa em um contexto. Contexto esse criado por nossa cabecinha e algumas vezes errôneo. E pronto: aí esta uma fonte para boatos.Por outro lado é tão mais tranquilizante ouvir e ler as notícias em bom português. É mais esclarecedor, apaziguante, acalentador. Nos dá a sensação de estarmos bem informados... Será????
Me lembro muito bem que a IPC TV/Globo Internacional nao se pronunciou durante 48 horas passado o tremor. Na sexta feira, dia 11, a programação se manteve normal e nenhum plantão ou sequer aquelas manchetes infernais que ficam passando no canto superior da tela foram exibidas. No lugar, Jhony Sasaki( a quem eu tenho um grande respeito) exibia, com certo efusismo, os batidores das gravações de uma novela. OI?
E foi assim durante as 36 horas seguidas...Agora imagine: 250 mil brasileiros. Desses, não sei quantos assinantes do canal, e dentre esses os que não compreendem nada de japônes. Da onde eles esperariam receber notícias e recomendações sobre o que fazer???? De que adianta aquele mapa com aviso de perigo de tsunami piscando na tela??
Aí, pra ferrar tudo de vez, a Tv Globo destaca o seu correspondente local para cobrir os fatos que dali para frente dominariam os telejornais seguintes- O Roberto Kovalick.
Sinceramente?? Por que, meu Deus? É inegável que Roberto Kovalick, quando foi destacado para ser o correspondente internacional da Globo na Ásia, trouxe com ele uma boa bagagem de jornalismo, um verniz profissional eu diria. Achava aquela gordinha com uma pinta na cara que apresentava o jornal local um tanto quanto esculacho. Não que ela fosse uma má profissional. É que ela, ali naquela bancada, só não passava credibilidadee para a empresa como um todo( nem vou citar os repórteres regionais, porque né? aquilo é sambar na cara do bom senso). Trouxe também um investimento maior da Globo na Ipc Tv, até entao uma simples retransmissora da programação , que acabou sendo promovida à afiliada da "vênus platinada". E existe uma enorme diferença entre ser retransmissora e afiliada. Mas voltando ao sr. Kovalick, acho ele ótimo...pra fazer reportagens sobre robôs e excentrecidades do Japão, que ele faz tão bem. E só.
Agora mandam o cara cobrir uma tragedia natural, que por si só já é difícil. Logo ele, reporter de amenidades...Li em algum lugar em que elogiavam sua cobertura dizendo que ele tem se esforçado para se adaptar, absorver e entender a cultura tão peculiar deste país pré terremoto. E eu concordo. Mas tambem não só eu, como vários companheiros de trabalho notamos um certo sensacionalismo nas matérias feitas por ele. Ou seria inexperiência?? Talvez tenha sido o nervosismo, ou a vontade de passar as informações adiante que não o permitiram ser imparcial e tranquilizante para quem o assistia.
Tem gente tambem pedindo a cabeça do enviado especial da mesma Tv Globo Marcos Uchôa por aí...Falando que ele sim é sensacionalista, desinformador e dissiminador de pânico. Eu já acho o contrário. Esse cara tem uma narrativa que, ao meu ver, condiz muito mais com a realidade. Pelo menos a realidade que eu vejo. Uma narrativa serena, num tom de voz certo, com palavras polidas...Está certo que não é isso que a população ávida por informação mais precisa. Mas é isso que faz de um jornalista um dos bons. E esse mesmo Uchôa bem me lembro cobriu a famigerada guerra do Iraque. Aquela cobertura que mal esperávamos os intervalos no trabalho para ficar comentando sobre. Na maioria das vezes, sob o ponto de vista deste mesmo Uchoa tão criticado agora.
O fato é que é assim que o jornalismo funciona: Real ou sensacionalista, a notícia sempre será tratada da maneira mais fiel possível. Fiel do ponto de vista de quem a cobre. A diferença é que agora estmos muito perto da notícia e cada um a enxerga de um jeito.
Má jornalismo pra mim é encorajar um bando de desocupado ditos sensibilizados com as vítimas à arrecadar donativos, encher um onibus e ir até o lugar do desastre cheios de boas intenções. Pra cima de moi?????? Aposto que o único intento desse bem-intencionados compatriotas era ir lá pra ver in loco o que eles estavam vendo pela tv. Puro exibicionismo. Certeza que na página de qualquer rede social desses voluntários está repleta de fotos da catástrofe. Sem nenhum respeitoê
Muito têm se falado do péssimo tratamento dado aos fatos pelos jornalistas brasileiros. Tenho lido em blogues a irritação de alguns brasileiros que aqui vivem sobre o que a maioria da imprensa brasilis tem divulgado . Digo mais: tem gente indignado com o teor de sensacionalismo/maldade/desinformação que estão sendo levados à nós e aos nossos familiares e amigos no Brasil. Mas isso não é uam exclusividade dos brasileiros: o site JPquake criou o sensacional Muro da vergonha dos jornalistas (aqui), que nada mais é do que um compilado de absurdos noticiados por jornalistas de diversas midias sobre o terremoto. Não é genial???? E olha que até minha ultima visita, o Marcos Uchoa ainda não figurava por lá.
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